domingo, 11 de junho de 2017

Silêncio.

E tudo acabou ali. Com um silêncio. Um silêncio que corrói nas veias, que se quer exprimir. Um silêncio barulhento que se quer soltar e dizer tudo o que pensa. Um silêncio irrequieto e apaixonado. Um silêncio incontrolável que não sabe mais estar calado. 
 Um silêncio que quer dizer tudo de uma vez por todas, mas que não pode. Um silêncio que tem de se controlar.
Um silêncio que terá que permanecer intacto, sem nada dizer e sem nada poder ver nem ouvir. 

(10/06/2017)

domingo, 26 de março de 2017

(...)

Era suposto eu aguentar isto. Ser forte todos os dias e conseguir lidar sempre com a tua presença. Era suposto eu saber como ultrapassar isto e saber tratar-te como um amigo mesmo sendo tu muito mais que isso.
Às vezes é difícil aguentar isto todos os dias. É difícil aguentar firme e não te poder ter nos meus braços. E por mais que eu diga que tu não me mereces, que tu não vales a pena e que tu isto e que tu aquilo, a verdade é que és tu. Foste tu, és tu, e, por enquanto, serás sempre tu.
 E mesmo apesar do meu orgulho e racionalidade, és tu. E tudo isto porque minto a mim mesma quando digo que já não te amo;
Porque minto a mim mesma quando digo que já não te quero;
Porque minto a mesma quando digo que já não és tu quem eu penso todas as noites antes de adormecer;
Porque minto a mim mesma quando digo que já não és tu quem eu quero na minha vida.
Amo-te.

(15/03/2017)

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Pelo teu aniversário

 Parabéns. (Não sei bem se deva chamar-te meu amor, pois não és meu, e não sei se é realmente amor aquilo que ainda sinto por ti. Sim, é amor, mas não sei se é aquela chama ardente que ardia dentro de mim todos os dias e que me derrubava ao ponto de eu não conseguir fazer nada). Sabes, o fogo é lindo, mas é preciso ter-se cuidado com ele. Tanto pode doer ardentemente, como pode arder por um amor verdadeiro e correspondido. Portanto, o fogo é uma metáfora do que é o amor, diria eu, tal como o disse Camões.
 Espero que tenhas um ótimo dia junto daqueles que mais gostas, uma lista de pessoas à qual eu não estarei de certeza incluída. Tenho pena de não poder estar contigo da maneira que gostaria de estar, mas a decisão foi simplesmente tua em relação a isso. Tudo fiz para que juntos ficássemos e que tudo desse certo na nossa história. Reconheço também que se calhar errei, mas sempre fiz o que achava estar certo seguindo sempre o meu coração e não me arrependo.
 Tenho saudades dos nossos contactos visuais, daquela comunicação, da intimidade que tínhamos um com o outro. Não eram precisas palavras nenhumas. Os nossos olhares falavam por si.
 Tenho saudades de muita coisa. Demasiadas coisas, até. E embora eu diga a mim mesma que tudo isto vai passar e que já não te vejo da mesma maneira, o que é certo é que há sempre um dia em que a dor decide apoderar-se de mim. Decide simplesmente voltar a fazer-me lembrar de todos os pormenores que sei sobre ti, nem que seja a tua data de nascimento, qualquer coisa, por mais insignificante que seja, tudo vem à memória. Não sei, não faço ideia de qual seja o objetivo da dor voltar, mas ela volta e no dia a seguir vai embora. Um tempo depois volta de novo e sempre com outras memórias, outros pormenores.


Mariana Rosário (04/09/2016)

Revisão: Rita Serrano