domingo, 16 de agosto de 2015

Prometo ficar

 Naquela tarde  vi o teu rosto triste e cansado. Estavas com dores de cabeça e fatigada, mas mesmo assim, esforçavas-te para que te saísse alguma coisa do cérebro.- Cérebro esse, que eu sempre achei que fosse de génio, porque sempre foste inteligente. (É uma das coisas por que te amo tanto.) –Porque na semana a seguir, terias que entregar uma ata ou algo do género.
 Fiquei a observar-te naquela que era a tua parte preferida da nossa casa. Naquele que era o teu canto. O jardim, com as rosas lindíssimas que adoravas regar. Observei-te sentada na tua cadeira-balouço. O teu rosto era nítido e corado- uma coisa que sempre foste, mesmo até na tarde em que nos conhecemos. Lembro-me tão bem..-
 Queria ser teu, ser dono dos teus braços, reconfortar-te no calor do meu peito. Queria que fosses minha para sempre e proteger-te para que nada nem ninguém te fizesse mal.
 Já me tinha passado pela cabeça inúmeras vezes, que raio de lotaria é que me tinha saído para eu ter tido tanta sorte em te ter encontrado, em te ter agarrado e nunca mais te ter largado até hoje. Mas quando te vi ali, concentrada em dares o teu melhor, tive a certeza de que não te queria perder. Eras minha assim como eu era teu. Assim como o mar é da areia ou vice-versa.
 Não sabia o que te dizer. Apenas fiquei a observar-te e estava firme de uma coisa. Amava-te. Como jamais te amei.

Mariana Rosário


(09/08/2015)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Por ti...

 Por ti eu deixava tudo e todos.
 Por ti eu era capaz de mover mundos e fundos só para te ver bem.
 Por ti eu mantenho esta chama acesa.
 Por ti eu ia até onde fosse preciso só para te ver, para saber de estás bem, mesmo que tu não me quisesses ver.
 Por ti, eu era capaz de qualquer coisa.
 Mas o mal é esse: nós queremos sempre dar 1000 a quem só nos dá 100. Queremos sempre dar o nosso máximo a quem nos dá sempre o seu mínimo. A vida é muito irónica.
 Mas felizmente que amadurecemos com o passar dos (d)anos.


Mariana Rosário

sábado, 1 de agosto de 2015

Pensamentos vagos- parte 2

  Naquele dia encontrei-te por acaso e fizeste-me um convite para ir jantar a um restaurante na praia. Confesso que fui um pouco contra a minha vontade, e, longe da minha imaginação estava, tudo o que aconteceu. E mesmo apesar de não me apetecer muito a tua companhia para jantar, vivemos minutos felizes, deve citar-se.
  Pediste-me para irmos dar uma volta à beira-mar e eu aceitei. Confesso que não sabia o que é que se tinha infiltrado em mim, pois eras a última pessoa com quem queria jantar, passear ou até mesmo falar. O que é certo é que até me estava a fazer bem. Falar contigo, dizer-te tudo o que ficou por dizer, descansou-me a alma. Embora não soubesse se isso iria mudar ou não alguma coisa entre nós, ao menos disse-te tudo o que pensava.
  Num segundo estávamos bem. No outro estávamos praticamente entre a vida e a morte... Foi quando percebi que estávamos a ser assaltados. Tinham-me agarrado, eles queriam-me a mim, uma rapariga frágil, indefesa. Mas tu, forte como és e sempre foste, - e nisso somos o oposto um do outro -, tentas-te impedi-los de me levarem.
  A fúria era tanta que acabaram por te dar uma sova. No meio daquilo tudo, eu só gritava. Praticamente não podia fazer nada, pois um deles estava a agarrar-me e eu era demasiado fraca para a elevada massa muscular que ele apresentava.
  Quando finalmente decidiram ir-se embora, corri para junto de ti, que estavas no chão, com o lábio inferior a sangrar. Não sei muito bem como, mas felizmente consegui fazer com que chegássemos até tua casa. Desinfetei-te o lábio e obriguei-te a pôr gelo. Quis levar-te ao hospital, mas disseste que estavas demasiado cansado para isso e tentas-te convencer-me de que não seria necessário. Mesmo não me conformando com essa tua ideia, decidi ir-me embora, mas tu pedis-te para que ficasse mais um pouco. Embora fosse tarde, e eu não quisesses estar contigo, na verdade houve algo que me fez ficar. Algo que me fez perceber que te queria ter por perto novamente. Algo fez-me perceber que tiveste medo de me perder no momento em que me queriam levar, assim como algo fez-me perceber que eu própria tive medo de te perder, quando, do nada te armas-te em forte e acabas-te no chão com os lábios a sangrar.
  Bela noite, sem dúvida...

Mariana Rosário

(31/07/2015)